Presidente ou presidenta?


Presidente ou presidenta? Sanamos essa dúvida!

Se uma mulher preside o país, como devemos então nos referir a ela? Presidente ou presidenta? Estávamos tão acostumados com presidentes homens que de repente a novidade fez surgir essa dúvida linguística.

Existe uma lei federal, de 1956, do senador Mozart Lago, que determina o uso da forma feminina para designar cargos públicos ocupados por mulheres, portanto, se tivéssemos uma presidente, o que era pouco provável àquela época, deveríamos chamá-la por presidenta.

A lei ficou arquivada durante longos 54 anos até que escolhemos a primeira mulher na história para chefiar a nação. Contudo, a antiga lei fez uma observação importante: para que fossem utilizados termos femininos na designação dos cargos, estes deveriam estar, primeiramente, subordinados às questões gramaticais. A gramática prescreve que palavras terminadas em -ente, como presidente, não apresentam flexão de gênero terminado em -a, já que são palavras comuns de dois gêneros, por isso não falamos “gerenta” ou “clienta”.

Sendo assim, não haveria motivos embasados na teoria que nos fizessem utilizar a forma presidenta. Mas alguns linguistas ponderam sobre a questão, já que a palavra presidenta está consignada nos melhores dicionários, o que admitiria seu uso, que efetivamente já acontece na fala e até mesmo na escrita, basta ler os jornais ou assistir aos noticiários.

A questão nos faz refletir sobre a evolução da língua: se uma comunidade admite o uso de determinada palavra e se esse uso é disseminado nas modalidades oral e escrita, por que não rever antigas regras? Muitos atribuem à palavra presidenta uma conotação pejorativa, e o mesmo acontece com a palavra chefa, que, apesar de dicionarizada, nunca pegou entre os falantes!

Quando usamos as palavras presidenta ou chefa, parece que, inconscientemente, tecemos uma crítica nas entrelinhas, tachando a mulher que ocupa esses cargos como durona e inflexível, o que é uma bobagem. Entretanto, não devemos pensar que usar o termo presidente seja uma forma de diminuir o espaço conquistado pela mulher, mas apenas o respeito à norma gramatical que classifica o substantivo como comum de dois gêneros.

Como o tempo é o senhor de todas as coisas, cabe a nós aguardar se o uso da palavra presidenta será cristalizado entre os falantes. Caso isso ocorra, assim como aconteceu com outros vocábulos da língua portuguesa, deixará de ser motivo de discussão e polêmica.

 

Fonte: mundoeducacao.bol.uol.com.br