Criança que começa a ir para a escola mais cedo fica mais esperta?


Criança que começa a ir para a escola mais cedo fica mais esperta?

Mandar ou não os filhos ainda pequenos para a escola é uma das decisões que podem tirar o sono de muitos pais. Por lei, a criança precisa estar matriculada na escola a partir dos 4 anos. Entre as principais argumentações favoráveis à matrícula “prematura”, está a ideia de que ir mais cedo para a escola deixa crianças mais espertas e facilitam a vida escola no futuro. Será que isso é verdade?

O que acontece, segundo eles, é um estímulo maior do ponto de vista de sociabilização e autonomia da criança — ou seja, os ganhos são nas competências socioemocionais.

Bem estimulada e segura, a criança melhora sua capacidade de entender a lógica nos processos de aprendizado futuros. No entanto, vale ressaltar que esses estímulos podem acontecer tanto em casa quanto na escola.

Não tem ‘conteúdo’ para crianças pequenas “A relação do aprender e ensinar como estamos acostumados, é algo que deve ser priorizado muito mais no ensino fundamental”, diz Maristela Angotti, professora do curso de pedagogia da Unesp (Universidade Estadual Paulista).

“A proposta da escola nessa fase precisa priorizar a noção de sociabilização, de descentralização e de coletividade na criança. O conteúdo, como o português e a matemática, ainda é algo secundário e sempre deve ser apresentado como uma brincadeira”, explica Angotti.

As creches devem funcionar com espaço lúdico, para Márcia Malavasi, professora da Faculdade de Educação da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).

“Hoje, dificilmente as crianças brincam na rua, ou seja, conseguem interagir com muitas pessoas da mesma idade que elas. Com essa recomposição histórica e com os pais trabalhando fora, a escola assume esse papel”, explica Malavas.

Se a criança tiver essas condições de desenvolvimento entre a família ou na vizinhança, a matrícula na escola pode ficar para a idade obrigatória. Malavas explica: “Uma criança que consegue começar uma brincadeira, gosta de interagir, demonstra respeito e carinho em casa, também está se desenvolvendo e ganhando repertório”.

 

Fonte: educacao.uol.com.br